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Protesto chama atenção para o extermínio do povo negro

Publicado em: 21/03/2022 20:12
Editoria: Notícia

Integrantes dos blocos afros fizeram questão de marcar presença na programação do Dia Mundial de Luta Contra o Racismo
Foto: CarlosAmilton/AgênciaALBA
Organizações da sociedade civil antirracistas e o movimento negro realizaram ontem à tarde, em frente a Assembleia Legislativa, um protesto contra a morte violenta de negros na Bahia, com críticas incisivas em relação às ações policiais realizada em bairros populares. O chamado “Ato de Repúdio ao Extermínio do Povo Negro” se inseriu na programação do Dia Mundial de Luta Contra o Racismo.



Durante parte da tarde, oradores se revezaram em um sistema de som, narrando o drama de famílias negras com a violência física que sofrem diuturnamente. O ato foi programado para ser seguido de caminhada até a Governadoria, com parada no Tribunal de Justiça da Bahia e na sede do Ministério Público.



Participaram do movimento, representantes de coletivos, de blocos afro e da Comissão de Direitos Humanos e Segurança Pública da ALBA. A data escolhida, 21 de março, lembra o massacre de Sharpeville, na África do Sul, e simboliza a luta contra o racismo no planeta. Esta movimentação pretende conclamar a sociedade baiana a despertar para uma realidade cruel, atestada pelos observatórios de segurança e de violência. “A Polícia Militar baiana é a mais letal do Nordeste, e 98% das vítimas são jovens e negros”, asseguraram em discursos na entrada da ALBA os oradores do protesto.



Para Raimundo Bujão, membro do Movimento Negro Unificado, este ato é um ponto de partida para que a sociedade baiana, não só a população negra, mas a parte privilegiada, possa associar o que acontece agora no Brasil e na Bahia, ao dia 21 de março, e lembrar que o massacre de Sharpeville, no regime do Apartheid, não tem diferença do que acontece com a juventude negra na Bahia. “Precisamos refletir sobre a política de combate às drogas, chamar atenção da sociedade dos papéis dos órgãos do Estado, a exemplo do Ministério Público, para que cobrem ações do governo; e, por fim, dialogar com os policiais negros, que são as ferramentas que executam os próprios semelhantes”, frisou.



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