A palestra "Empoderamento Feminino na Educação e Ciência" abriu a programação da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) para o Dia Internacional da Mulher, celebrado mundialmente nesta quarta-feira (8). Tendo à frente a professora aposentada da Ufba Tereza Fagundes, pedagoga, mestra e doutora em Educação, e a professora doutora da Ufba Izaura Santiago da Cruz, com larga experiência na área de ciência, biologia e sexualidade, o evento teve como tema o Empoderamento Feminino na Educação e na Ciência e foi realizado durante a manhã, no Auditório Jornalista Jorge Calmon.
As atividades são organizadas pela Diretoria da Promoção à Saúde, vinculado à Superintendência de Recursos Humanos da ALBA. Na abertura dos trabalhos, o superintendente de RH, Francisco Raposo, disse que ainda “há um longo caminho a percorrer, para que as mulheres tenham garantidos seus direitos, o respeito e o reconhecimento profissional”.
A professora Tereza começou a palestra dizendo que a masculinidade no poder é sabidamente predominante. Para desconstruir esse universo reproduzido em tempos de patriarcado, seria necessário o empoderamento da mulher. “Empoderar não significa dar poder a ninguém. E sim fazer a pessoa reconhecer o poder dentro de si. Esse poder tem que ser construído. E isso é feito através da educação”, disse Tereza. Empoderar, segundo ela, é ter a capacidade de tomar decisões, de fazer escolhas, de poder fazer algo, de compartilhar.
Segundo a pedagoga, família e sociedade, desde sempre, educam meninos e meninas arraigando-lhes conceitos andrógenos, reiterando a cultura do macho no poder. Ela também explica que o foco não é acabar com o poder, pois ele é parte das relações humanas, mas sim empoderar as mulheres, trazendo equilíbrio às relações. Para mudar a situação, “é preciso praticar essa educação transformadora desde a creche, desde a pré-escola”.
O excesso de poder masculino, na sociedade, leva muitas vezes as relações a um patamar abusivo e descompensado, com violência sexual e simbólica, discriminação e abandono. “Nós, mulheres, temos a marca da masculinidade tóxica em nossas vidas, no lar, no trabalho, em todos os ambientes”, conta a professora, que reafirma ser a educação o único caminho dessa transformação.
Com o foco voltado para o empoderamento na ciência, a professora Izaura Santiago ressaltou que é importante entender primeiro que homens e mulheres precisam ter equidade de direitos, de acesso, de proteção, de cuidado e de não violência. “Ainda vivemos numa sociedade em que nós mulheres somos muito agredidas de diversas formas, tanto do ponto de vista físico, quanto do ponto de vista das condições de trabalho, do acesso às carreiras, das posições de trabalho. E essas questões estão inter-relacionadas com questões de raça, etnia, identidade, orientação sexual. Então, a depender de como essas características perpassam o corpo dessas mulheres, você tem um agravamento das violências e da exclusão social”, explicou.
De acordo com Izaura, tem-se ainda fortemente que a ciência é território do masculino. “Durante muito tempo, ficamos fora desse espaço. Houve um apagamento histórico das mulheres na ciência”, disse a professora, citando nomes de personagens importantes, como Hipátia de Alexandria, Bertha Lutz, Marie Curie, Rosalind Franklin, Ada Lovelace entre outras, que apesar de suas importantes contribuições, têm seus nomes pouco divulgados na história.
A mudança na educação também foi citada como solução por Isaura, dessa vez para a atração e inserção das mulheres no universo da ciência. Como ela explica, mulheres sofrem a descrença e desestímulo de familiares e professores.
Outro problema apontado pela professora é o assédio sexual e moral no ambiente acadêmico e de pesquisa. A falta de estrutura que acolha crianças em atividades e eventos científicos, segundo Izaura, também é outro fator prejudicial às mulheres, que têm que dividir a carga de trabalho científico com atividades maternas e cuidados da casa. De acordo com ela, dados indicam que a queda da produtividade por conta da maternidade pode se prolongar por até quatro anos.
Ainda na programação do Dia da Mulher na ALBA, ficou para a tarde desta quarta-feira a palestra Saúde da Mulher, a cargo de três profissionais da área da medicina. Questionamentos sobre pré-natal, gravidez precoce, cuidados com a amamentação, as doenças do período da gestação e outros conteúdos relativos à reprodução da mulher são os assuntos abordados pela médica ginecologista Maria Conceição Fonseca. Também participam do evento a doutora Magali Tourinho, sexóloga, especialista que trabalha com foco em ajudar a mulher a explorar, resgatar e elevar a autoestima, e a doutora Francine Freitas, médica especialista em diagnóstico por Imagem da mulher e endometriose.
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