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ALBA comemora os nove anos do Campus dos Malês em sessão especial

Publicado em: 05/05/2023 15:45
Editoria: Notícia

Proponente do concorrido evento, o deputado Rosemberg Pinto exaltou a história e as qualidades da Unilab
Foto: NeusaCostaMenezes/AgênciaALBA

Os nove anos do Campus dos Malês da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira (Unilab), em São Francisco do Conde, foram comemorados em sessão especial realizada na manhã desta sexta-feira (5), na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). Presidido pelo proponente, deputado Rosemberg Pinto (PT), líder do Bloco da Maioria, o evento lotou o Plenário Orlando Spínola com autoridades municipais e estaduais, docentes, técnicos administrativos e estudantes da universidade que celebraram também a resistência da instituição nos últimos seis anos, em que houve redução de repasses de verbas públicas.

Diante de muitos alunos da Unilab advindos de nações africanas lusófonas, Rosemberg Pinto disse que aquela possivelmente se tratava da primeira sessão internacional da ALBA. Não à toa, o evento foi iniciado com a melodia do Hino Nacional ao bandolim do grupo Tico-tico no Dendê e, na sequência, com a execução de hinos de países da África em que é falada a língua portuguesa.

A criação da Unilab é, antes de tudo, uma reparação histórica do nosso povo com a África. Uma universidade criada como ação de reparação pelos danos sociais provocados pela escravidão é, também, um lugar de reconstrução da identidade brasileira, porque se propõe a pensar o Brasil a partir do legado africano para o povo que aqui se constituiu. Esse Brasil que tem mais da metade da sua população autodeclarada negra ainda é estruturalmente racista e uma universidade negra, brasileira e africana, é uma convocação para o combate ao racismo e a construção de uma efetiva democracia racial”, declarou o parlamentar.

Ele lembrou que a universidade, criada em maio de 2014, não foi implantada em São Francisco do Conde de forma aleatória, pois se trata de uma região majoritariamente negra e profundamente marcada pelo legado africano. Reconheceu ainda o papel da prefeita Rilza Valentim, que morreu em 2014, como uma das mais importantes pessoas a lutar pela implantação da universidade, e também exaltou o papel do presidente Lula, que ampliou para seis o número de universidades federais na Bahia, que por muitas décadas só possuía a Ufba.

Na composição da Mesa, a deputada Neusa Cadore (PT) também lembrou a importância do presidente Lula para que a Unilab fosse criada, numa experiência muito significativa para um país que teve décadas de escravidão. “Uma instituição que acredita no diálogo, na interculturalidade, no convívio, que deve ser um exercício novo a cada dia, mostrando que os povos do mundo podem sair dessa necropolítica. Vocês hoje trazem para nós uma mensagem muito forte de esperança”, declarou a parlamentar.

Sabemos que o último período foi de desconstrução, de ataques às universidades, à educação e à ciência. Contem conosco para que, nesse momento, a gente também esteja cobrando o que a Unilab, o que as instituições de ensino superior merecem para dar a sua contribuição e garantir o acesso à educação de qualidade”, concluiu Cadore.

O presidente Lula também foi citado pela deputada Olívia Santana (PC do B) como grande responsável pela possibilidade de criação da Unilab, não só pela vontade política, mas por ter a coragem de admitir a tragédia da escravidão. “Sabemos a infinita oportunidade que se abriu a partir daquele gesto simbólico, de admissão, de que sim, o colonialismo foi uma violência histórica brutal. Sim, colocou o negro numa posição que mancha a história da humanidade, que foi a escravidão”, declarou a legisladora.

Em seu discurso, a diretora do Campus, Míriam Carneiro Reis, lembrou que a Unilab está inserida no contexto da internacionalização da educação superior, atendendo à política do governo brasileiro de incentivar universidades federais capazes de promover a cooperação Sul-Sul com responsabilidade científica, cultural, social e ambiental. “Com a Unilab, o Brasil executa parte do pedido de perdão ao povo africano realizado pelo presidente Lula, no porto de Gorée, Senegal, quando reconheceu a dívida brasileira com a África”, disse.

Míriam explicou ainda que a Unilab cumpre papel importante no combate ao deficit educacional existente na região, oferecendo seis cursos de graduação presencial: bacharelado em humanidades, com ênfases em ciências sociais, história, relações internacionais e pedagogia, além de licenciatura em Letras e das graduações EAD em Administração Pública e, ainda por iniciar a primeira turma, em Ciência da Computação.

A diretora defendeu que a transformação do Campus dos Malês em nova universidade federal e internacional, afro-brasileira, será um aceno para o mundo de que o Brasil e a Bahia seguem nas políticas públicas de combate ao racismo, de promoção de reparação e igualdade racial e construção de um novo país verdadeiramente democrático.

Além dos citados, a Mesa presidida pelo deputado Rosemberg Pinto contou com a deputada Fátima Nunes (PT), com a secretária estadual da Educação, Adélia Pinheiro; a secretária de Promoção da Igualdade, Ângela Guimarães; a vice-reitora do Campus, Cláudia Ramos Carioca; a defensora pública Mônica Aragão, o reitor do Instituto Federal da Bahia (Ifba), o presidente da Câmara de Vereadores de São Francisco do Conde, Antônio Lopes Pantera; o vereador Marivaldo do Amaral e a atriz e ex-secretária de Cultura Arany Santana.

Também foram convidados a participar da composição da Mesa a aluna Suede Menezes, representante dos estudantes do Campus dos Malês, e Iuri Rosário, representante dos estudantes egressos da Unilab. Além deles, também participou o representante dos técnicos administrativos da instituição de ensino, Marcos Vinícius Soares Dias.



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