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ALBA promove debate sobre políticas e gestão de recursos para o teatro na Bahia

Publicado em: 30/04/2025 18:28
Editoria: Notícia

Audiência pública foi realizada pela Comissão de Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia e Serviço Público
Foto: NeuzaCostaMenezes/AgênciaALBA

Em um significativo encontro que ecoou a voz da cena cultural baiana, a Comissão de Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia e Serviço Público da Assembleia Legislativa da Bahia promoveu uma audiência pública para debater as políticas públicas de valorização do teatro no Estado. Sob a proposição da deputada Olívia Santana (PC do B), o evento reuniu uma mesa diversa e representativa, composta pela própria comunista, pela deputada Fátima Nunes (PT), pelo deputado Matheus Ferreira (MDB), por Sara Prado, diretora-geral do Funceb representando o Secretário de Cultura da Bahia; Sahada Josephina, diretora de políticas e programas da SECTI; Gilmar Faro, presidente do Conselho Estadual de Cultura, e importantes nomes do teatro baiano como Zeca de Abreu, atriz, diretora teatral, professora e gestora; Fernanda Paquelet, atriz, diretora, professora e produtora; Luís Bandeira, ator, diretor teatral e produtor cultural; Edineiram Marinho Maciel, representando a Hora do Saber; Gordo Neto, ator, diretor, produtor representando a Casa Preta; Heraldo de Deus, ator, roteirista, diretor e apresentador; Fábio de Santana, ator, produtor e gestor do Bando de Teatro Olodum, além da secretária de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais, Ângela Guimarães e dos vereadores de Salvador Sílvio Humberto (PSB) e Aladilce Souza(PC do B).

A iniciativa da deputada Olívia Santana abriu um palco para a discussão de temas cruciais para o desenvolvimento do setor. A necessidade de garantir investimentos consistentes emergiu como um ponto central, com a urgência de criar mecanismos de financiamento que sustentem a produção teatral em suas diversas formas e linguagens. A manutenção e revitalização dos espaços teatrais, muitas vezes carentes de recursos, também foram amplamente debatidas.

Em sua fala, a deputada também abordou as “condições do fazer teatral na Bahia, estado que se destaca por sua rica e diversificada produção”. Ela apontou desafios como “a falta de infraestrutura adequada, a escassez de recursos financeiros e a dificuldade de acesso do público”, defendendo a necessidade de “investimentos na formação de artistas e gestores culturais, a ampliação e modernização dos espaços culturais e a implementação de políticas públicas que incentivem a produção e a difusão da arte teatral”. Olívia Santana concluiu enfatizando a importância de “fomentar o diálogo e a colaboração entre os diversos atores envolvidos no setor, explorando mecanismos disponíveis para fortalecer o teatro na Bahia, garantindo que ele continue a desempenhar um papel relevante na vida cultural e social do nosso Estado”.

A deputada Fátima Nunes manifestou seu apoio à iniciativa, sublinhando a importância de fortalecer a cultura como um direito essencial e o teatro como uma ferramenta de transformação social.

Outro aspecto fundamental abordado na audiência foi a visibilidade da produção teatral baiana. Os participantes enfatizaram a importância de estratégias de divulgação eficazes que alcancem um público mais amplo, tanto na Bahia quanto em outros estados. A articulação com outros setores, como o turismo e a educação, foi apontada como um caminho promissor para expandir o alcance e o reconhecimento do teatro local.

Representando o Governo do Estado, Sara Prado, diretora-geral do Funceb, reforçou o compromisso da gestão estadual com o desenvolvimento cultural e a busca por mecanismos que otimizem a aplicação dos recursos, visando o fortalecimento de todas as manifestações artísticas, incluindo o teatro.

A garantia do respeito à cultura como um direito de todas e todos permeou as discussões. O teatro, enquanto forma de expressão artística e reflexão social, foi reafirmado como um elemento essencial para a construção de uma sociedade mais democrática e plural. Nesse sentido, a valorização dos profissionais do teatro, com condições de trabalho dignas e oportunidades de formação, foi destacada como uma prioridade.

A voz da classe teatral se fez presente e contundente. Zeca de Abreu enfatizou a urgência da união entre os artistas, alertando que “a classe não pode viver apenas de edital, precisamos de mais orçamento para garantir a continuidade e a sustentabilidade do nosso trabalho”. Gordo Neto complementou essa visão, ressaltando a “necessidade de disputar orçamento de forma estratégica para assegurar o crescimento do setor”. Edineiram Maciel clamou por políticas públicas.

Ângela Guimarães, secretária de Promoção da Igualdade, destacou o papel do teatro como “instrumento de transformação social” e afirmou que “ouvir a sociedade organizada é a melhor forma de acertar e avançar nas políticas públicas”. Ela citou, inclusive, as escolas de tempo integral como importantes espaços para a disseminação da arte teatral.

Fábio de Santana, do Bando de Teatro Olodum, reforçou o apelo pela “unidade da classe” e fez um pedido específico pela “simplificação do FazCultura”, um importante mecanismo de incentivo à cultura no Estado. Heraldo de Deus pediu o apoio da TV pública da Bahia, a TVE, para divulgar o trabalho do teatro.

Após escutar parte da mesa e da plenária, a proponente da audiência, deputada Olívia Santana, disse que a comissão deve se reunir com os secretários da Fazenda, da Cultura e de Desenvolvimento Econômico para mostrar o que foi debatido no encontro e lutar por mais orçamento para o setor. A parlamentar também deve encontrar com a Confederação Nacional da Indústria e saber de que forma o setor empresarial pode se comprometer com a pauta.

“Ficou evidente o desejo comum de transformar as discussões em ações concretas. A audiência pública representou um passo significativo no sentido de construir políticas públicas mais eficazes e sensíveis às necessidades do teatro baiano. A expectativa é que este diálogo contínuo entre o poder público e a sociedade civil resulte em avanços que garantam um futuro mais promissor para a cena teatral, com mais investimentos, maior visibilidade e o reconhecimento do seu valor intrínseco como patrimônio cultural e direito de todos os cidadãos”, disse.

A audiência pública se encerrou com a clara percepção de que o debate aprofundado e a participação ativa de todos os envolvidos são passos cruciais para a construção de políticas públicas mais eficazes e para o fortalecimento do teatro na Bahia.



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