MÍDIA CENTER

Fabíola celebra homenagem à primeira médica negra do Brasil

Publicado em: 07/08/2025 13:53
Editoria: Notícia

Iniciativa do Hospital de Olhos Alclin em homenagear a médica baiana Maria Odília Teixeira Lavigne, foi aplaudida pela deputada Fabíola Mansur (PSB)
Foto: AscomALBA/AgênciaALBA

A deputada Fabíola Mansur (PSB) elogiou a decisão do Hospital de Olhos Alclin de homenagear a médica baiana Maria Odília Teixeira Lavigne, emprestando seu nome ao centro cirúrgico da instituição. A cerimônia ocorre nesta sexta-feira (8), em reconhecimento ao legado da pioneira, primeira mulher negra a se formar em Medicina no Brasil.

Na moção de congratulações protocolada na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), Fabíola destacou a importância da iniciativa e reproduziu trecho do pronunciamento do diretor-presidente da Alclin, André Luis Lavigne. “É uma honra poder eternizar o nome da minha avó, doutora Maria Odília Teixeira Lavigne, no centro cirúrgico da Alclin. Este gesto representa o reconhecimento de uma trajetória de superação, coragem e pioneirismo. Que a história dela inspire profissionais e pacientes que passam por aqui, lembrando-nos da importância de construirmos uma medicina mais humana, inclusiva e de excelência”.

A parlamentar também resgatou a trajetória da homenageada, que se graduou em 1909. Nascida em São Félix, no Recôncavo baiano, Maria Odília superou barreiras sociais, raciais e estatísticas para conquistar seu diploma médico — um feito inédito em um Brasil ainda marcado por fortes traços de machismo e racismo, como observou Fabíola Mansur. “Ela foi a primeira professora negra da Faculdade de Medicina da Bahia, lecionando Clínica Obstétrica, e inovou em sua tese inaugural ao pesquisar tratamentos para a cirrose”, afirmou.

Filha do médico José Teixeira, de origem humilde, Maria Odília contou com o apoio do irmão, Tertuliano Teixeira — bacharel em Direito — para concluir os estudos. Ela se tornou a primeira mulher diplomada em Medicina no século XX. “O legado de Maria Odília é imenso e vai além do exercício da Medicina. Uma mulher à frente do seu tempo”, acrescentou Fabíola.

A deputada também relembrou a atuação política da médica e sua postura diante dos regimes autoritários. Em 1937, durante o Estado Novo, Maria Odília defendeu a família em Ilhéus, quando o marido, Eusínio Gaston Lavigne, teve o mandato de prefeito cassado. Em 1964, enfrentou nova perseguição com a prisão do companheiro durante a ditadura militar.

Repertório cultural

Apesar da origem humilde, Maria Odília construiu um vasto repertório cultural. “Minha mãe, sem nunca ter saído do Brasil, falava cinco línguas fluentemente e não concebia que professores ensinassem português sem dominar grego e latim”, recordou o médico José Léo Teixeira Lavigne, um dos dois filhos da homenageada, em entrevista ao Conselho Regional de Medicina da Bahia (Cremeb).

Fabíola ressaltou ainda que Maria Odília exerceu a Medicina com competência, dignidade e respeito aos pacientes. A parlamentar lembrou que a médica se afastou da profissão em 1920, em um contexto em que o movimento feminista ainda dava seus primeiros passos e as mulheres sequer tinham direito ao voto.

E foi nesse cenário que a primeira médica negra do Brasil escreveu seu nome na história: com independência profissional, tornando-se exemplo para as novas gerações de sua família e símbolo de orgulho para a medicina, para as mulheres e para o povo negro”, afirmou a deputada. “Maria Odília Teixeira segue como referência de conduta profissional para toda a categoria médica e para seus familiares”, concluiu.





Compartilhar: