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Assembleia de Carinho exibe documentário sobre enfrentamento à violência contra a mulher

Publicado em: 07/08/2025 18:27
Editoria: Notícia

Presidente do IAC, Tanísia Coronel, abordou ações de mobilização, prevenção e fortalecimento da rede de proteção às mulheres
Foto: AscomALBA/AgênciaALBA
O Instituto Assembleia de Carinho (IAC) promoveu, na tarde desta quinta-feira (7), no Plenarinho da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), a exibição do documentário “Chiara, Vozes que Ecoam” e uma roda de conversa com a participação de representantes de grupos e organizações em defesa das mulheres. O evento faz parte da programação do Agosto Lilás na ALBA, exatamente na data em que se comemora 19 anos da Lei 11.340/2006, a conhecida Lei Maria da Penha, considerada um marco, no Brasil, no enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher, e uma norma que virou referência na proteção dos direitos femininos.

Tanísia Coronel, presidente do IAC, lembrou que o Agosto Lilás é uma campanha marcada por ações de mobilização, prevenção e fortalecimento da rede de proteção às mulheres. “Este é um mês para conscientizar a sociedade sobre a importância do combate à violência e, ao mesmo tempo, dar apoio para que as mulheres possam, cada vez mais, denunciar e falar a respeito das agressões que sofrem todos os dias. Nesse mundo machista em que vivemos, não podemos normalizar uma violência que mata e causa tantos transtornos físicos e psicológicos na vida das mulheres e suas famílias. É de fundamental importância abrir esse espaço aqui na Casa do Povo. Precisamos ouvir e dar voz às mulheres”, afirmou. 

“Chiara, Vozes que Ecoam” mostra relatos reais emocionantes de mulheres que sofreram violência, discriminação e assédio. São histórias contadas por mulheres que, apesar da violência sofrida, permanecem na luta da resistência feminina. É o caso de Clara Martins, que inspira o documentário. A empresária de Alagoinhas foi resgatada em 2022, através de uma denúncia anônima, depois de ter sido torturada, por 12 horas seguidas, pelo ex-companheiro, um agressor que praticava violência com uma espada samurai nas mãos. Na época, ela conta que passou por abuso sexual, patrimonial, psicológico e moral, além de um aborto espontâneo e perda da guarda dos dois filhos. 

“A cada minuto, neste país, 35 mulheres são violentadas, em sua maioria na frente de seus filhos, e se a gente, como sociedade, não se posicionar em defesa das mulheres e das crianças, a tendência é aumentar o número de feminicídios. Eu sou uma sobrevivente de uma tentativa de feminicídio e não sei mais viver pensando que, neste exato momento, muitas mulheres estão sofrendo, sendo atacadas por um algoz, porque não se denuncia. Nenhuma criança precisa passar pelo que meus filhos passaram”, declarou, emocionada, a empresária, que decidiu transformar sua dor em resistência, criando, em março de 2025, o Instituto Clara Martins.

A ONG atende mais de 100 mulheres de comunidades em situação de vulnerabilidade, levando o chamado Kit Dignidade, com entrega de pasta e escova de dentes, sabonetes e absorventes, como forma de resgatar a autoestima das mulheres, principalmente para as jovens adolescentes que vivem em risco social. “Estaremos aqui no Parlamento, em parceria com o Instituo Assembleia de Carinho, recebendo as doações. Nossa instituição é um propósito de vida, um projeto com ações, palestras,
exposição do documentário ‘Chiara, Vozes que Ecoam’, o livro ‘O Caso Chiara, Rompimento do Silêncio’, a revistinha em quadrinhos ‘As Jornadas de Chiara’ e a continuidade do novo livro sobre o Caso Chiara, que deverá ser publicado em novembro. Queremos ser agentes de transformação”, pontuou a ativista.

Dezenas de depoimentos, com narrativas sobre a violência doméstica, marcaram o encontro. Participaram da roda de conversa a vereadora de Salvador, Marta Rodrigues; representantes das secretarias estaduais de Política para as Mulheres (SPM) e de Desenvolvimento Rural (SDR); dirigentes da Associação de Mulheres que Apoiam Mulheres (Amam); representantes do Coletivo As Pretas Falam e Projeto Elas à Frente da Pesca. A Procuradoria Especial da Mulher da ALBA, comandada pela deputada Fabíola Mansur (PSB), destinou sua equipe de psicólogas, advogadas e assistentes sociais para prestar o apoio necessário ao atendimento das mulheres. 

“A violência contra a mulher é real e a Procuradoria da Mulher da ALBA está aqui para ouvir. Estou honrada em conhecer todas vocês. Espero que cada uma volte para sua casa com uma outra perspectiva. Quando a gente senta para falar sobre esse tema, que não é fácil para ser discutido por quem vivencia esta dor, acende aquela chama na nossa cabeça, e a gente pode ser luz para alguém do nosso lado, como inspiração e acolhimento”, concluiu a presidente do Assembleia de Carinho, Tanísia Coronel.


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