Considerado tabu, o suicídio foi tema de roda de conversa com a psicóloga Raysa Lima, nesta segunda-feira (12), no plenarinho da Assembleia Legislativa. Promovida pela Diretoria de Promoção à Saúde, a iniciativa fez parte da programação da Campanha de Sensibilização para a Prevenção ao Suicídio, realizada durante todo o mês, por conta do 10 de setembro, Dia Mundial da Prevenção do Suicídio.
Idealizadora do Espaço Amarelo, fundadora e conselheira da Associação Baiana de Prevenção ao Suicídio (Abaps), Raysa Lima alertou para a necessidade de desconstrução de tabus existentes em torno do suicídio, como assunto que não deve ser comentado, que o ato é pecado, e apontou mitos que atribuem à falta de fé a opção ao suicídio, ou como meio de chamar atenção. A psicóloga também falou sobre os motivos que podem fazem uma pessoa tirar a própria vida e sobre como identificar os sinais e atuar na prevenção do suicídio.
A importância da posvenção, que indica o cuidado com os familiares e entorno depois do ocorrido, foi outro ponto abordado pela psicóloga, que destacou o impacto do suicídio na vida destes, afetando até 135 “sobreviventes”.
“Quando se faz uma campanha de prevenção sem considerar que pessoas que estão ouvindo estão em luto, a gente pode fazer com que elas se culpem, por não terem visto os sinais. Por conta do trauma, as pessoas enlutadas também são um grupo de risco pro suicídio”, alertou.
ÍNDICES
Na Bahia, dados das secretarias estaduais de Saúde (Sesab) e de Segurança Pública (SSP) publicados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) apontam uma média de 680 suicídios ao ano. Desses, 80% são praticados por pessoas do gênero masculino, fato atribuído pela palestrante à dificuldade que os homens têm de pedir ajuda, temendo expor sentimentos e colocar sua masculinidade em questão.
“E é por isso que o primeiro ponto da prevenção do suicídio, pensando no público masculino, é trazer a nosso entendimento de que os homens, sim, podem sofrer, podem chorar, podem buscar ajuda, o que não é o oposto de masculinidade. Isso é humanidade”, afirmou.
Raysa colocou como fatores que podem conduzir ao suicídio a necessidade de demonstração de estado de bem-estar ininterrupto, o medo de pedir ajuda e de incomodar o outro. “A prevenção do suicídio passa por um processo de libertação, no qual as pessoas possam demonstrar as emoções, pedir ajuda, e sofrer, sem que isso seja considerado fraqueza. É preciso muita coragem para demonstrar vulnerabilidade”, concluiu.
CAMPANHA
Satisfeita com o alcance da mobilização na ALBA e com a participação dos servidores na roda de conversa, a gerente do departamento de Serviço Social da Casa, Laís Paulo de Jesus, falou da adesão da Casa à campanha mundial de enfrentamento ao suicídio.
“Apesar de o dia ser o 10 de setembro, nosso trabalho de prevenção ao suicídio acontece o ano todo, a partir dos atendimento diretos, psicológicos ou psicossociais, ao servidor e dependentes, como também nas nossas abordagens coletivas”, informou.
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