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Sessão especial celebra os 100 anos do PCB

Publicado em: 16/09/2022 14:11
Editoria: Notícia

Militantes e dirigentes comunistas relembraram e enalteceram a história do partido
Foto: AscomALBA/AgênciaALBA
“Não é mole não. É impossível acabar com o Partidão”. O brado ecoou no plenário da Assembleia Legislativa, durante as comemorações do aniversário de 100 anos de fundação do Partido Comunista Brasileiro (PCB) em sessão especial proposta e presidida pelo deputado Hilton Coelho (Psol), durante a manhã de sexta-feira (16).

A presença majoritariamente jovem no evento reforçava justamente a ideia de que o partido está em fase de rejuvenescimento e que está longe de acabar. “Eu gostaria de ter sido convidado para esta sessão”, disse Hilton, revelando seu desejo de ter um deputado comunista no Parlamento baiano, que seria o proponente natural para o evento.

No discurso de abertura, Hilton explicou que a sessão foi um “momento importantíssimo para a Assembleia Legislativa e para o povo brasileiro porque marca uma ruptura na luta política do Brasil. O parlamentar explicou que ele mesmo é fruto desse processo de formação da esquerda brasileira.

A respeito da conjuntura política, Hilton falou que o que está em jogo nas próximas eleições é o modo de vida dos brasileiros e o próprio país. “Nossa soberania não está num balcão de negócios”, destacou, conclamando toda a militância para não vacilar e ter firmeza no enfrentamento ao fascismo.

O pronunciamento refletia bem a história do PCB que, dos seus cem anos, passou 56 na clandestinidade ou ilegalidade, sobrevivendo a duas ditaduras violentas: a do Estado Novo e a militar, pós 64. O nome Carlos Marighella, deputado constituinte de 1946, ao lado de Jorge Amado, e assassinado pelo regime em 1969, também se fez presente em todos os pronunciamentos.

O secretário político da União da Juventude Comunista (UJC), João Pedro Aguiar, e os estudantes Cheyenne Ayalla e Guilherme Reis se seguiram na tribuna do plenário, assim como Ana Karen Souza. “Temos a tarefa histórica de organizar, formular, propor novos horizontes”, disse ela, referindo não só à organização partidária, mas toda a sociedade civil. Ela também se referiu às 700 mil mortes provocadas pela pandemia. “Sabemos muito bem que isso é resultado do modo de produção capitalista, cuja forma destrutiva tem dizimado nossa classe e o meio ambiente”.
O assessor especial da Defensoria Pública e ex-deputado Álvaro Gomes lembrou que a experiência socialista se iniciou com a revolução russa de 1917, quando transformou não só um dos países mais atrasados da época em uma potência, como diversos outros países capitalistas que implantaram medidas de bem-estar social para fazer frente aos novos ventos, após a Segunda Guerra Mundial.

João Coimbra Souza, representando o Coletivo Negro Minervino de Oliveira, fez um pronunciamento emblemático, fazendo uma avaliação histórica e um paralelo entre o enfrentamento negro à exploração da elite e a atuação do PCB. Ele lembrou da materialidade da violência contra os negros, “a primeira classe trabalhadora do país”. Para ele, vivemos uma ditadura do capitalismo e que as estruturas do nosso sistema democrático são uma farsa. “A luta não é feita de discurso, mas o discurso inflama os corações”, definiu.

Foi com o coração confessamente inflamado, mas voz branda, que Giovani Damico concordou com a existência de uma ditadura que faz com que 99% da população seja submetida aos interesses de poucas famílias. Ele foi o único a lembrar o nome de Luís Carlos Prestes, dirigente histórico do partido e também deputado constituinte de 1946.

Quando Hilton convidou à tribuna a última oradora da sessão, ele ressaltou que havia méritos especiais para que seu pronunciamento fosse de destaque. A baiana Sofia Manzano é militante do partido há 30 anos e foi uma das responsáveis pelo novo registro do partido junto ao TRE, após o que ela chamou de comitê central liquidacionista ter atuado contra o partido, após a queda do Muro de Berlim.

Ela, morando em São Paulo à época, se filiou ao partido em 1992 e percorreu o Brasil para obter 20% de filiação partidária em 20% dos municípios em pelo menos nove estados. “Naquela época não bastavam as assinaturas de um milhão de simpatizantes”, explicou. Ela também lembrou que os responsáveis pela debacle dos anos 80 migraram ou fundaram partidos que hoje estão na direita ou extrema direita.

Sofia, no entanto, afirmou não ter “medo de dizer que defendemos a existência da democracia burguesa, mesmo sabendo que ela é restrita porque não é romântico nem belo viver em uma ditadura, viver sob a clandestinidade, sob ameaça, exilado, ter seus entes queridos perseguidos e torturados. “Mas defendemos para superá-lo, para transformar tanto as estruturas políticas como as estruturas econômicas em uma outra forma de relação social”.


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