Foi ao som dos clarins do Bloco Alvorada e do vozeirão marcante de Aloísio Menezes, do Cortejo Afro, entidade carnavalesca tradicional de Salvador, que a Assembleia Legislativa recebeu a cantora Teresa Cristina, uma carioca do bairro de Bonsucesso que se tornou nesta segunda-feira (19) a mais nova cidadã baiana. O título honorífico, uma proposição da deputada Olívia Santana (PCdoB), foi entregue em uma sessão especial que reuniu autoridades, parentes, amigos e sambistas de renome no cenário musical baiano, que fizeram questão de saudar a filha de uma feirante de Cachoeira, no Recôncavo da Bahia, que passou a ser ainda mais conhecida em todo o Brasil, a partir de 2020, durante a pandemia da Covid-19, em razão das transmissões online com a participação de muitas celebridades do mundo artístico e cultural.
Logo no início da sessão, a parlamentar comunista explicou que a homenagem foi solicitada pela aposentada Kátia Maria Costa e a cantora baiana Juliana Ribeiro, mulheres que se sentiram acolhidas nas lives que Teresa Cristina produziu, trazendo para sua plateia virtual um seleto time de artistas famosos, como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Marisa Monte, Zeca Pagodinho e tantos outros músicos que, sem condições de realização de shows presenciais, encontraram naquele palco um espaço livre para a valorização da cultura e da arte. Para Olívia Santana, a iniciativa é um reconhecimento a esta mulher que tem uma carreira linda, pontuada de esforço e o talento das grandes senhoras, como Tia Ciata, Dona Ivone Lara, também dos mestres Candeia, Wilson Moreira e Cartola. “Esta sambadeira carioca se tornou a artista símbolo das janelas, que a solidão do isolamento precisou abrir pra conectar milhares de pessoas. Teresa abriu seu coração e fez da sua música, da sua voz, um ato de companhia solidária”, declarou a deputada.
Diversos vídeos foram exibidos, enaltecendo a personalidade da cantora, nascida em 28 de fevereiro de 1968, na capital do Rio de Janeiro. A secretária estadual de Política das Mulheres, Julieta Palmeira, a amiga Clea Maria, o Tio Vandinho, de São Félix, o amigo Cezar Mendes e a irmã Eloísa Macedo relembraram algumas histórias passadas com a cantora, que chegou a ser premiada, pela Associação Paulista de Críticos de Arte, como a artista do ano, em decorrência do brilhante trabalho que fez no período da crise sanitária e de saúde pública, bem como na defesa do auxílio emergencial para os trabalhadores da área da cultura em geral.
Presente à cerimônia, o cantor e compositor Roberto Mendes lembrou que arte não é cultura, pois arte nós fazemos e cultura nós vivemos bem. Na saudação à nova cidadã baiana, ressaltou a importância de estar aqui na Casa Legislativa: “Poucas coisas me tiram de Santo Amaro. Você me tirou”, finalizou seu breve pronunciamento. A cantora Margareth Menezes disse ter acabado de chegar de São Paulo, mas que não poderia faltar a este compromisso. A baiana frisou que a live de Teresa foi um porto seguro, um momento de integração que serviu para dar ânimo, estimular as pessoas. Ela saudou a conterrânea com os versos “Tenho comigo as lembranças do que eu era, para cantar nada era longe, tudo tão bom”, da canção “Nos bailes da Vida”, de Milton Nascimento.
Falando em nome das autoridades, o defensor público geral Rafson Ximenes destacou o tempo chuvoso na cidade, mas frisou que daqui a alguns dias a cantora poderia voltar tranquilamente à nossa terra. “A Bahia tem um povo quente e o sol vai se abrir novamente em duas semanas por causa das mulheres, das negras, dos nordestinos e dos artistas desse país, como você”, manifestou o gestor. Bastante emocionada, Teresa Cristina agradeceu do fundo do coração a homenagem, salientando que “capricharam na composição da mesa, com tantas figuras queridas representativas da música popular brasileira”. A cantora revelou que passou a fazer as transmissões virtuais para salvar a mãe Hilda Macedo, salvando, por extensão, toda a família. “Fiz as lives para que minha mãe sorrisse, ficasse feliz, não visse as notícias dessa doença. Foi através desse carinho com minha mãe que eu tive a ideia de continuar, para espalhar felicidade para outras pessoas”, completou.
Cantando, Teresa ofereceu ao plenário, lotado de adeptos do candomblé, uma composição ainda sem nome que fez para Oxum: “Oxum, minha mãe divina, Oxum, minha divina mãe, Oxum, é de minha filha, Oxum é de minha irmã. Oxum, a dona do ouro, dona do tesouro, Deusa do Amor. A voz que me acompanha, a dor que me banha, no primeiro calor”, arrematou a cantora, que pediu a benção da Bahia, saudando também os pais Luiz Alberto e Hilda, “que estão muito felizes pela concessão desse honroso título”, A sessão especial contou com as presenças do compositor Nelson Rufino, do mestre Mateus Aleluia, do produtor cultural Clarindo Silva, dos cantores Tonho Matéria e Vivian Carolina, além de Daniele Costa, representando a SPM.
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