A deputada Fátima Nunes (PT) protocolou, na Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, um projeto de lei que propõe denominar Águas do Conselheiro a adutora que está sendo construída no município de Canudos, no Território de Identidade do Sertão do São Francisco.
Segundo a proposição da parlamentar petista, o equipamento deverá atender ao distrito de Bendegó e ao povoado de Canudos Velho, abastecendo, na primeira etapa, mais de oitocentas famílias. Na segunda etapa, a previsão é que o equipamento também chegue ao município de Uauá, ampliando a oferta de água.
De acordo com o edital de licitação lançado pela Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa), a adutora será construída por meio de um investimento de R$ 6,5 milhões.
Na justificativa, a deputada argumenta que o objetivo é homenagear “um dos mais notáveis religiosos da história baiana, Antônio Conselheiro, líder da Guerra de Canudos – ocorrida entre 1896-1897 – retratada, posteriormente, por Euclides da Cunha, no livro Os Sertões”. Fátima Nunes também relatou passagens da vida do beato, suas andanças por várias cidades do sertão do Nordeste, fazendo pregações, dando conselhos, conquistando fiéis e lutando contra o sistema. O líder religioso acabou preso e decapitado em 1897.
“Justa e salutar é essa homenagem ao líder religioso que contribuiu para levar esperança para um povo que sofria com a seca, a fome e o descaso social”, justificou.
De acordo com registros históricos, tudo começou quando o beato Antônio Conselheiro encerrou sua peregrinação pelo sertão e fundou o povoado de Belo Monte, na Fazenda Canudos, em junho de 1893. Antes disso, porém, os seguidores dele foram atacados pela polícia baiana em um conflito que teve mortes de ambos os lados. O caso ganhou repercussão e muitas pessoas passaram a procurar o “Novo Messias” na “Terra Prometida”. Aos seus séquitos, Conselheiro anunciava o fim do mundo como algo breve e não reconhecia o governo da República recém-proclamada.
Três anos após a chegada do líder religioso e a atração de fiéis, Belo Monte se tornou a segunda maior aglomeração urbana da época, com aproximadamente 25 mil habitantes, ficando atrás somente de Salvador. Diante das manifestações contrárias oriundas de lideranças católicas e dos coronéis, o povoado passou a ser alvo do Exército que, a mandou do governo federal, chegou para dissolver a comunidade.
As forças militares não encontraram tarefa fácil pela frente. Antônio Conselheiro havia preparado um “exército” formado por jagunços convertidos. Por ter subestimado o poder de fogo dos sertanejos, o governo sofreu três derrotas seguidas. Diante dos revezes, o Exército teve que deslocar uma expedição com cinco mil soldados para conseguir tomar o povoado, que foi destruído em outubro de 1897.
Localizado no nordeste baiano, o município possui cerca de 16,8 mil habitantes, conforme estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) do ano de 2021. Há pouco mais de um ano, a região recebeu o asfaltamento da BR-235. O fato também foi rememorado por Fátima Nunes. “Atualmente, Canudos conquistou a BR-235, que foi um sonho realizado através dos presidentes Lula e Dilma”, disse.
Ela também destaca os avanços com novas escolas, quadras e iluminação pública no município. E reafirma que, agora, os canudenses vão contar com mais uma grande obra, que está em execução: a adutora que vai levar água para Bendegó e povoado Canudos Velho.
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