O falecimento da sambista, cantora e compositora baiana, Claudete Macedo, ocorrido no último sábado (28), em Salvador, consternou a deputada Fabíola Mansur (PSB), que protocolou moção de pesar na Assembleia Legislativa.
No documento, a parlamentar lembrou a trajetória da artista nascida em 1933, que morou no Pelourinho desde os 18 anos e que começou profissionalmente nos anos 50, na Rádio Nacional do Rio de Janeiro.
“Sou fã do trabalho de Claudete Macedo, desde os tempos em que ela participava das festividades do Dia do Samba, cantando lindamente na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e nas celebrações de Santa Bárbara. Uma voz firme, uma mulher muito mais forte ainda, altaneira”, manifestou.
VOCAÇÃO
Fabíola elogiou a vocação de Claudete que, desde a infância, cantava em casa, na escola, nos batizados, casamentos, festas, rádio, bares e blocos de carnaval. Também destacou o seu amor pelos palcos, “mas que sempre cantou em espaços alternativos, como os serviços de alto-falantes, no bairro de Pau da Lima e na tradicional Baixa dos Sapateiros, levando arte para todos os cantos da cidade”.
Segundo a legisladora, a popularidade chegou em 1962, quando foi contratada para participar dos programas da Rádio Sociedade da Bahia, onde ficou por quase dez anos.
“Claudete era a própria música, talentosa, sensível, que abriu todos os caminhos com sua coragem e dignidade, especialmente num período que pouquíssimas mulheres levavam adiante o sonho de ser cantora, em plena década de 1950”, disse.
PIONEIRISMO E PARCERIAS
A deputada evocou a parceira inseparável da sambista com o mestre Batatinha, e o seu lugar de “rainha eterna” da histórica Cantina da Lua, “espaço sagrado construído por outro gigante e grande amigo de Claudete, seu companheiro de todas as lutas em prol do Centro Histórico de Salvador e da nossa cultura, Clarindo Silva”, afirmou.
Somado ao talento, Fabíola elogiou, também, o espírito pioneiro da sambista baiana, que foi a primeira mulher a cantar em blocos carnavalescos, a exemplo do Vai Levando, compositora para o Bloco Filhos de Gandhi, e cantora de outros blocos, como Os Filhos do Morro, Os Internacionais e Lá Vem Elas, e de vários afoxés.
“Claudete desafiou a sociedade machista da época, galgando espaços com sua força e talento até se transformar num ícone do samba da Bahia”, homenageou.
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