Durante a solenidade de abertura dos trabalhos da 20ª Legislatura da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), o presidente Adolfo Menezes fez um discurso no qual ressaltou o triunfo da democracia em um tempo marcado pelo terrorismo contra as instituições públicas no país. Para o chefe do Parlamento baiano, o momento é de reconstrução de um Brasil que se encontra em uma crise sem precedentes e, nesse sentido, os Legislativos estaduais e federais possuem papel fundamental na superação dos problemas que afligem a nação.
Na tribuna do Plenário Orlando Spínola, Adolfo Menezes relembrou o triste episódio que marcou o dia 8 de janeiro em Brasília. Ele ressaltou que os atos terroristas atingiram as sedes dos três poderes, mas não abalaram a democracia. Ainda no início do seu pronunciamento, o chefe do Legislativo citou um trecho do discurso proferido pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, que fez uma defesa enfática da democracia na abertura dos trabalhos do Judiciário deste ano de 2023: “A Democracia é uma construção coletiva daqueles que acreditam na liberdade, daqueles que acreditam na paz, que acreditam no desenvolvimento, na dignidade da pessoa, no pleno emprego, no fim da fome, na redução das desigualdades, na prevalência da educação e na garantia da saúde de todos os brasileiros e brasileiras”.
Para Adolfo Menezes, esse início de mandato representa uma responsabilidade incomum, pois todos da classe política têm papel preponderante neste momento de reconstrução em que o Brasil se encontra. “O país passa por um árduo processo de reconstrução, e a Bahia tem um peso político e econômico extraordinário nessa tarefa. E esta cerimônia acontece em um dos instantes mais delicados da vida brasileira, no sentido literal da palavra. Talvez a expressão ‘delicado’ não passe de um eufemismo ante a gravidade que o cenário político nos impõe”, contextualizou, ressaltando a determinação e a vontade do presidente Lula e de todo o conjunto de ministros no enfrentamento da crise que classificou como “sem precedentes, por razões diversas”.
Ainda conforme o presidente da ALBA, na trilha da recuperação do país, os integrantes dos poderes legislativos devem se comprometer com essa missão, que foi confiada pelos brasileiros nas urnas no mês de outubro. “A classe política, penso, tem o dever de trabalhar pela melhoria do ambiente em que vivemos. Fora da política, da boa política, não haverá solução com vistas à superação desse leque de problemas que atormenta a nação. E a Constituição Federal é quem deve balizar as ações, não somente dos políticos, mas de cada segmento que forma a vida dos brasileiros”, assinalou.
No caso da Bahia, mais especificamente, o chefe do Parlamento estadual frisou que o governador Jerônimo Rodrigues e o vice-governador Geraldo Júnior herdaram um cenário político-administrativo diferente do encontrado pelo presidente Lula no âmbito federal. Por aqui, continuou Menezes, o quadro é favorável graças às gestões dos ex-governadores Rui Costa e Jaques Wagner.
Eleito para novo mandato à frente da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa da Bahia, o presidente também disse não ter dúvida de que a 20ª Legislatura será norteada pelo trabalho no plenário, nas comissões e no interior do Estado, como foi o quadriênio que se encerrou no último dia 31 de janeiro. “Com todas as dificuldades impostas pela pandemia da Covid-19, nos dois últimos anos, fomos determinantes na defesa da ciência, no enfrentamento das tragédias ambientais, na ajuda às suas vítimas, assim como na intransigente defesa da democracia e do Estado de Direito.
Realizamos todo esse trabalho em 81 sessões plenárias, nas quais votamos 348 proposições e fizemos 1.416 indicações diversas”, exemplificou, desejando, na sequência, um mandato exitoso ao governador Jerônimo, empossado em 1 de janeiro, e a todos os outros 62 deputados e deputadas que tomaram posse em 1º de fevereiro.
Por fim, o presidente da ALBA relembrou a tragédia humanitária que aflige a comunidade indígena Yanomami. Nesse ínterim, ele pediu desculpas públicas a todos os povos indígenas e originários do país. “É um pedido de desculpas pelas cenas dantescas, chocantes e estarrecedoras, vindas a público com a recente visita do presidente Lula ao estado de Roraima. Em meu nome e em nome do povo baiano, peço perdão. A fome é brutal e inaceitável no terceiro maior produtor de alimentos do mundo. A fome, como arma de extermínio de um povo, é crime. É genocídio”, afirmou Adolfo Menezes.
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