No primeiro dia do ano, poucas horas depois do sol nascer, a Assembleia Legislativa já anunciava que a Bahia estava sob nova direção. Porém, antes de prestar o juramento constitucional, o governador Jerônimo Rodrigues e autoridades cumpriram os ritos oficiais da sessão especial e solene de posse, realizada a cada quatro anos na Casa das Leis.
A festa cívica começou cedo na rampa do Palácio Deputado Luís Eduardo Magalhães. Por volta das 7h30, já não cabia mais ninguém no espaço próximo à fachada principal do prédio. Deputados estaduais e federais, prefeitos, vereadores, lideranças políticas, secretários de Estado, representantes do Poder Judiciário, do Tribunal de Contas, militares das Forças Armadas e militantes de movimentos sociais se juntaram a repórteres, cinegrafistas, fotógrafos e jornalistas para acompanhar a chegada do novo chefe do Executivo estadual, participando deste importante capítulo da história da democracia.
Pontualmente às 7h40, o governador Jerônimo Rodrigues chegou ao Parlamento. De mãos dadas com a esposa, a engenheira agrônoma e professora da Universidade Federal do Recôncavo, Tatiana Velloso, e do filho João Gabriel, ele foi recebido na rampa pelo vice-presidente da Casa Legislativa, deputado Paulo Rangel (PT).
Recepcionado com aplausos, o filho de Aiquara, que vai comandar a Bahia até 31 de dezembro de 2026, fez um breve pronunciamento para a imprensa. Ao lado do vice-governador Geraldo Júnior (MDB), pediu o apoio dos profissionais de comunicação “para tirar o povo que passa fome dessa atual situação, ajudando também a Bahia a gerar emprego sustentável e fazendo desse Estado o Estado Mãe do Brasil”.
Depois de ser presenteado por um simpatizante com um chapéu de vaqueiro, um símbolo da profissão do pai Zeferino, o novo governador foi conduzido para o Salão Nobre, local onde ficou aguardando o início da sessão. Com o plenário lotado, Jerônimo Rodrigues cumpriu o que determina o protocolo e foi empossado pelo presidente da ALBA, deputado Adolfo Menezes (PSD). Já como chefe do Executivo estadual, ele discursou pela primeira vez, reforçando novamente a sua preocupação com a inclusão social. “A pobreza e a fome ardem no estômago. Devemos lutar por políticas públicas que gerem trabalho e renda”, afirmou.
Ao som do Hino Nacional, a cerimônia foi encerrada e todos os presentes retornaram para a parte externa, onde os cadetes da Cavalaria da Polícia Montada e integrantes do Corpo de Bombeiros já estavam posicionados para dar continuidade ao ritual de posse.
Às 10h, Jerônimo Rodrigues passou em revista a tropa e reverenciou no trajeto as bandeiras do Brasil e da Bahia. Em seguida, ao som da Banda Maestro Wanderley da PM, os militares apresentaram suas armas, desfilando posteriormente em homenagem ao novo governador da Bahia.
Antes de se dirigir para o encontro com a população, em uma estrutura montada na área gramada do Centro Administrativo, o mandatário posou para as fotografias e concedeu uma rápida entrevista aos profissionais de imprensa que cobriam o evento.
LEGISLATIVO
Em declaração à TV ALBA, o presidente Adolfo Menezes falou que a Casa cumprirá sempre com seus deveres, colocando os interesses da Bahia em primeiro lugar. Nesse sentido, destacou, por exemplo, que o Legislativo aprovou, no dia 29 de dezembro, R$ 100 milhões para que mais de 90 municípios baianos possam enfrentar os problemas causados pelas enchentes.
“Nós antecipamos R$ 320 milhões do ICMS que seria de janeiro, agora, para dezembro, além de outras ações para socorrer aqueles que perderam suas habitações, seja com alimentos, água mineral, colchões e medicamentos”, finalizou o chefe do Legislativo, desejando que “Jerônimo Rodrigues tome conta tão bem deste grande Estado do mesmo modo que Rui e Wagner”.
Os três senadores da República pela Bahia também se pronunciaram sobre esse momento que inaugura um novo tempo para o Brasil. De acordo com o senador Otto Alencar (PSD), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai ter a missão de restabelecer as relações democráticas entre os poderes, com as condições para ter tranquilidade e desenvolvimento econômico, geração de emprego e renda, de modo que as camadas mais pobres da população tenham acesso aos bens e serviços e garantias constitucionais que a legislação pode oferecer.
Escolhido como líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT) enalteceu a aprovação da PEC da Transição e a montagem do novo ministério, atendendo a diferentes partidos para o crescimento da base política. Bom de diálogo e hábil negociador, o ex-governador da Bahia disse que a grande vontade de Lula é diminuir a miséria e gerar emprego, fazer a inclusão social, além da responsabilidade fiscal.
Já o senador Angelo Coronel (PSD) comentou sobre a polarização ainda existente no Brasil, mesmo após a frente ampla ter derrotado o ex-presidente Jair Bolsonaro. Para ele, “o importante não é viver com sectarismo, nem com essas divergências cruéis. Esperamos que a conciliação vença”. Coronel disse que torce pelo sucesso do governador Jerônimo, lembrando que o atual grupo político, que há 16 anos está à frente do Estado, mostrou força, “elegendo um professor, um homem simples, cuja humildade foi o maior cabo eleitoral para conseguir a vitória nas urnas”.
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